Acumulei nas férias algum correio não solicitado a aconselhar redução de peso (como?), pirâmides milagrosas, aquisição de revistas com 60% sobre o preço da banca, colchões magnéticos, curas contra inveja, etc…
O que fiz perante esta ocupação abusiva da minha caixa de correio, assim tão vilipendiada? Rasguei os papéis? Reciclei-os? Requisitei algum produto? Solicitei qualquer serviço? Não.
O mais giro, apetitoso, delirante, maquiavélico é que todos os envelopes continham um lindo, simples, puro envelope RSF (Resposta Sem Franquia); aqueles que sabemos que se tem escrito RSF bastam ser colocados no marco do correio – o pormenor de saber que alguém vai pagar o envio de nada cria-me uma sensação de satisfação um pouco pecaminosa. E, como tal, diligentemente preenchi com que o me foi enviado os envelopes RSF e meti-os no marco do correio.
Só de imaginar as expressões, as emoções da pessoa que abriu cada um dos envelopes e descobrir imaculado o lixo que me enviou enche-me o peito de orgulho e a mente de elucubrações mágicas.





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