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maria morta, o início
30.04.2008arquivado em: DiaRiuM 2
maria morta, o início

Maria “Morta” ainda estava, apesar de tudo, viva. Maria é o seu nome de baptismo. A alcunha “Morta” foi-lhe anexada devido a um lamentável desastre. Ou melhor, à consequência do acidente. A coma imita a morte, diz o povo. É como aquele copo meio-cheio e meio-vazio. Coisas. E se era para dar-lhe uma alcunha para mim seria Maria “Ainda Viva”. Ora vejamos. Maria Felisberto Coutada Pinto sofreu com a idade de 16 anos e 10 dias um acidente de viação. Atropelada por um carro de bois que efectuava uma marcha atrás não sinalizada ficou em coma 1 ano e 355 dias. Saiu do estado comatoso ao festejar os seus 18 anos de vida. O carro de bois, atendendo à sua velocidade, não parou de imediato a manobra que executava. Os bois eram campeões premiados. Utilizei o pretérito imperfeito do verbo ser porque eles terminaram a sua existência como bifes logo na semana seguinte. Após o embate Maria rebolou por debaixo do carro de bois. Passou por 8 cascos sem qualquer pisadela. As equimoses foram causadas pelas pedras. Temos 8 cascos. Oito pisadelas potenciais. Ora só houve umas ligeiras manchas roxas imputadas indirectamente ao acidente e um outro dano que revelou-se não ser grave: a coma que ocorreu à posterior. Repito e destaco à posterior. Por isso se de um lado temos 8 possibilidades de dano – sem falar nos rodados – e de outro lado, apenas, 1 dano o resultado final é estatisticamente muito positivo. E a coma revelou-se ser prolongadamente passageira. Maria “Ainda Viva” seria a alcunha ideal. Mas o povo soberanamente doce na sua ignorância colou-lhe o “Morta”. Tudo bem. Eu apenas relato o sucedido e ousadamente pintalgo algumas considerações pessoais. Alheio ao sinistro em si não está o seu transporte ao Centro Social. José Malaquias, o condutor, elevou uma Maria atordoada e depositou-a na carroça. Consciencioso apontou o carro de bois na direcção do Centro Social. Aparentemente Maria não tinha nada. Mas o seguro morreu de velho. Entre ais e uis Maria ia dizendo que queria ir para casa. Está tudo bem soluçava ela. José a cada ai e a cada ui esforçava a caminhada dos bois. Nada dizia. Sem palas nos olhos só tinha um objectivo o Centro Social. Foi quando o impensável aconteceu…

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2 respostas

  1. a rever agora este post. nunca acabei a história. ainda vou a tempo?

  2. já nem sei o que tinha em mente.

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