“Em Rio Tinto também se morre?” – frase interrogativa proferida por um gastrópode do café da esquina, local onde de vez em quando vou buscar uns caramelos de fruta para compensar o bom comportamento dos meus três leporídeos, levou-me a pensar que se morre em qualquer lado, em qualquer altura.
Qual, então, o motivo para o Cevadas, assim baptizado por ter uma dentadura castanha não pelo excesso de consumo de cevada, mas pelo uso industrial de cigarros permanentemente acendidos, salientar Rio Tinto? Terá a Morte apagado Rio Tinta das suas viagens? E se sim porquê? Terão os habitantes de Rio Tinto ganho a partida de poker à Morte? Será a povoação possuidora do elixir da juventude eterna?
A resposta revelou-se ser mais simples que a confecção do cozinho à portuguesa. Afinal, a frase, nem poderia ser designada de um enigma, antes um mal-entendido. “Em Rio Tinto também se morre!” tinha sida cuspida exclamativamente com orgulho. Prentendi ter ouvido um ? quando era um !. Convenhamos, um erro comum. E, assim, quando Cevadas se desloca em peregrinação a um funeral em Rio Tinto é motivo para encher o peito de soberba e comungar três dezenas de lambretas em sinal de religiosa harmonia com o defunto; se tiver falecido uma mulher Cevadas acompanha as lambretas com uma tigela de caracóis – sinto que de cada vez que separa o caracol da sua carapaça com a manobra de um simples palito está simbolicamente a picar a defunta no corpo; o caracol servirá de boneca de vodu numa versão gastronómica.
Perante isto, o que motiva Cevadas a festejar a morte em Rio Tinto com tamanha pompa e circunstância? A resposta a esta pergunta e a outras que possam surgir fica para outra altura.






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na altura que rascunhei um “farrapo” sobre a frase realmente ouvida num café tinha uma ideia de estória bem delineada. hoje não faço a mínima ideia o que seria.
acabo por limpar este rascunho com os apontamentos que tinha.
é uma pequena estória sem nexo, com algum nexo acho eu.