Para se escrever uma boa ou má história basta iniciar a sua escrita. O que depois salta para o papel é que marca a diferença. Saber logo agora que a história é uma anormalidade é normal, especialmente para mim, e quando o assunto trata “agrafos” não haverá dúvidas. Tenho pois de agradecer ao responsável deste [...]
“Foda-se!”, gritei mal os lábios tocaram o líquido castanho. “O senhor bem que podia ter cuidado com a linguagem. Está aqui uma criança.” Isto foi nasalado por uma senhora pimpona acompanhada por um rapaz dos seus 15 anos. Reconheço que o impropério saiu-me assim de rajada. No entanto o café estava quente como o caraças. [...]
A parte mais escura, mais morena, ou lá como se queira definir a sua cor, do meu corpo é o meu pénis.
Reconheço que a frase anterior entra a matar – escrita de maneira grossa, sem aviso, mas lá teve ser ser.
Existem na Bíblia dois episódios mágicos de que gosto especialmente : a multiplicação dos pães e peixes e a transformação da água em vinho. Agora, em adulto, imagino-me sentado num sofá de massagem com suporte para um copo de Dry Martini a que nunca faltaria o maravilhoso licor e as verdejantes azeitonas. Descendo para os [...]
O espectáculo é surreal. O leão, rei dos animais, vigia friamente Leviatã, o desfalecido rapaz selvagem. O hipopótamo menos comedido no controlo das emoções, grita em desespero. O dinossauro que atravessou uma fenda temporal olha estupefacto; não compreende o que se passa e muito menos onde está. Mas nem tudo está perdido. A salvação vem [...]
Não me senti louco quando principiei a ouvir vozes atrás de mim; primeiro num chilrear, depois em cacofonia. Agora ouvia ruídos do lado esquerdo, do lado direito e pelo andar da carroça iria sofrer o mesmo tormento à minha frente. O vozeirão estava insuportável. Os meus ouvidos já não tinham capacidade para absorver a notável [...]
Enche-me de plenitude os passeios nos cemitérios. Fico inebriado pelo barulho seco do silêncio, interrompido aqui e ali pela labuta constante dos vermes.
Qual, então, o motivo para o Cevadas, assim baptizado por ter uma dentadura castanha não pelo excesso de consumo de cevada, mas pelo uso industrial de cigarros permanentemente acendidos, salientar Rio Tinto? Terá a Morte apagado Rio Tinta das suas viagens? E se sim porquê? Terão os habitantes de Rio Tinto ganho a partida de poker à Morte? Será a povoação possuidora do elixir da juventude eterna?
Nos tempos em que acompanhava agrilhoado a minha mãe às bruxas, porque sofria do mal de inveja, ia de tal forma agoniado que as minhas tripas sofriam uma constante convulsão vulcânica.
ainda com 210 anos, maravilhas da biotecnologia – sou mais máquina do que verdadeiro tecido humano – recordo sem dificuldade o dia 29 de abril de 2011 (o implante cibernético que grava agora a nossa vida recuperou sem problemas as recordações até ao primeiro momento de consciência in utero. onde estavas tu a 29 de abril de 2011? é uma das perguntas dos meus trisnetos sempre que me visitam nos retrogados festejos de anos. respondo, sempre perante os olhares incrédulos, que estava, entre outras coisas, a ver umas fotografias da última ceia dos condenados à morte: http://www.jwgreynolds.co.uk/index.php?/last-suppers/






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